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15/03/2004 19:23
Para ler ouvindo: Ask The Smiths
:: SAUDOSISMO ANOS 80
Li uma reportagem e recebi um e-mail sobre os anos 80, quer dizer, os anos onde eu e o povo de 20 e poucos anos passou a infância... e me fez lembrar de muita coisa boa. Bem no estilo de Recordar é viver e A gente era feliz e não sabia posto aqui tudo que me venho à lembrança.
-Adorava as provas com cheiro de álcool, recém copiadas no mimiógrafo (usando papel extencil)
-Assistia "Barrados no Baile", "Passa ou Repassa" com o Gugu, "Clip Clip", "Programa Livre(Fala garoto!)", "Milk Shake" com Angélica.
-Programa preferido: "Viva a Noite".. lembram da dança da galinha azul?
-Não ia pra escola no dia do seu aniversário com medo de levar um ovo (ou vários) na cabeça
-Adorava He-Man, She-Ra, Thundercats, Jaspion, Changeman e Os Jetsons.
-Viu a Gretchen cantar Conga La Conga, o Ritchie cantar Menina Veneno
-Tentava imitar o break do Michael Jackson (eu tinha até uma fitinha dele com black and white)
-Brincava de "Estátua", "Batata- quente", "Queimada", "Pega-pega", "Pique-esconde", "Forca", "Cabra- cega", Boca de Forno", "Amarelinha" e "STOP" (Uéééésssstopêêêêêê!!!) hahahaha
-Usava aquele tênis conga. O Lecheval. Com luz!
-Colecionava as figurinhas de bichinhos que vinham no chocolate Surpresa.
-Morria de medo da loira do banheiro (na escola)
-Ouvia lambada do Sidney Magal ou do Beto Barbosa e também do Trio Los Angeles
-Corria pra casa do meu primo porque ele tinha o disco com aquele música: "Chorando se foi, quem um dia só me fez choraaaar..." e da Eliana de Lima.
-Era fã n° 1 do Balão Mágico.
-Não perdia "Bambalalão", "Catavento", "Cavalo de Fogo", "O Pequeno Príncipe", "Punky", Caverna do dragão, "Ursinhos Carinhosos" (os ursinhos carinhosos estão aqui pra ajudar, se precisar, é só chamar...), "Mupets Babies", "Duck Tales" (Duck Tales Uh Uh, são os caçadores de aventura, uh uh...), "TopoGiggio", "Bozo" e "The Smurfs"
-Mascava Buballoo, Ping Pong e Ploc ou Ploc Gigante. Chupava bala Soft. Bebia Crush
-Comprava Dip Lik, Mini-Chiclets e o pirulito que vinha com hélice, pra girar e voar.
-Leu a Série Vaga Lume
-Colecionava as mini garrafas de refrigerantes. E a mãe dizia que tinha veneno dentro para que a gente não bebesse... E os ioios da Coca-Cola?
-Comprava muiiita revistinha da Turma da Mônica.
- Respondia aos Questionários das colegas. Normalmente em um caderno, e a última pergunta era... De quem vc gosta? Ou...Deixa uma mensagem para a dona do caderno...
-E os jogos? Jogo da Vida, Banco Imobiliário, Detetive, Cara a Cara....Lembra do comercial "Não se esqueça da minha Caloi"? E da bicicleta Monark?
-Tive walkman AM/FM amarelo à prova d'água.
-Odiava a Maria Joaquina, tinha dó do Cirilo. Ou seja, vi a versão original de Carrossel.
-Chorei nos filmes E.T e Um robô em cuito-circuito
-Jogava muito atari... pacmam.. snif!
-Logo após, a era Mário e a era Sonic.
:: PERTÍSSIMO DO CORAÇÃO SELVAGEM
O que não é unir a fome com a vontade de comer, não é? Sei que o trocadilho é pobre, mas estou muito feliz por conhecer mais essa mulher. Primeiro, via o Léo (Tantas palavras) fazer várias referências à ela e fiquei interessado. Ele me aconselhou pegar qualquer livro dela, pois todos eram geniais. O Primeiro que li foi o Perto do Coração Selvagem, um ótimo romance, logo após leio o livro de contos Laços de Familia, foi nesse que eu parei quase chorando... Como ela consegue??. Clarice descreve tão bem os sentimentos mais agonizantes, o amor, a vergonha, o ódio. A narrativa cortante e detalhada, me fez reverenciá-la.
Logo após, surge o trabalho de faculdade de adaptar um conto ou uma crônica para o vídeo.. um curta-metragem.. Tinha Rubem Fonseca que eu adoro no meio dos contistas, no sorteio meu grupo pega a Clarice. Vai ser um trabalho difícil, não consigo imaginar a história em vídeo, mas eu adorei a idéia. Eu queria filmar O Búfalo, mas optaram pelo Feliz Aniversário, que é ótimo também. Semana passada em comemoração da semana da Mulher, a Cultura fez uma programação especial sobre as mulheres Brasileiras, entre elas: Cora Coralina, Elis Regina e... Clarice. Era uma entrevista feita em 1977, é de arrepiar... Clarice, totalmente às avessas com entrevistas, somente concordou em fazer o programa se o mesmo fosse ao ar após sua morte, que ocorreu poucos meses depois. Com seu rosto exótico, Clarice não sorri, mostra cansaço e fuma muito.
Um pedaço da entrevista que eu lembro:
Você poderia nos dar uma idéia do que era a produção da adolescente Clarice Lispector?
Caótica, tensa, inteiramente fora da realidade.
Em que parte você decide assumir a vida de escritora?
Eu nunca assumi. Eu nunca assumi, eu não sou uma profissional, eu transcrevo quando eu quero, sou uma amadora e prefiro ser desse jeito para manter minha liberdade.
A sua produção ocorre com que freqüência? Tem períodos de produzir intensamente?
Tem períodos intensos, tem períodos e atos em que a vida fica intolerável.
É mais difícil você se comunicar com um adulto ou com uma criança?
Quando eu me comunico com criança é fácil, pois sou muito maternal. Quando me comunico com adulto eu estou me comunicando com o mais secreto de mim mesma. Aí é difícil.
O Adulto é sempre solitário?
O Adulto é triste e solitário.
E a criança?
A Criança tem a fantasia solta.
À Partir de que momento, de acordo com a escritora, o adulto vai se transformando em triste e solitário?
Isso é segredo. Desculpe, não vou responder. (pausa) Em qualquer momento da vida, pode ser um choque um pouco inesperado e isso acontece. Mas não sou solitária não, tenho muitos amigos e só estou triste hoje porque estou cansada, pois de modo geral sou alegre (abaixa a cabeça por algum tempo)
Você acha que seus contos pode alterar a ordem das coisas?
Não altera nada. Eu escrevo sem esperanças que altere.
Então porque continuar escrevendo, Clarice?
E eu sei? Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas e sim desabrochar de um modo ou de outro.
O Contato dos adolescentes com você, revela qual preocupação?
Revela uma coisa surpreendente.. que eles estão na minha.
O que é estar na sua ?
É que eu penso às vezes que estou isolada, mas tem gente muito jovem que está ao meu lado, isso me espanta e é... gratificante.
O que você atribui à isso?
Que tudo mudou. Porque eu não mudei, que eu saiba não fiz concessões.
O que fez as pessoas mudarem?
Eu realmente não sei. É uma pergunta que eu lhe faço. Porque eu não sei responder.
Se você não pudesse mais escrever, você morreria?
Eu acho que quando não escrevo estou morta
Esse período...
É muito duro o período entre um trabalho e outro, eu me sinto oca, mas é necessário para haver o esvaziamento, para nascer uma outra coisa. Se nascer. É tudo tão incerto.
Você morre e renasce a cada trabalho novo...
Bom, agora eu morri. Vamos ver se eu renasço.. Agora eu estou morta.
enviada por New Young
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