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02/04/2004 10:39
BALADAS, GRIPE E OS ANOS 60
Há duas semanas eu estou assim... Vivo espirrando pelos cantos, me jogando nas paredes para tossir, dor de garganta... Nem consegui dormir direito, estou vivendo 'pescando' no ônibus.. até no trabalho..
Tá. Mas o cara aqui até que tentou ser um bom moço e levar a sério o conselho da mamãe:
"Meu filho, fique em casa, não pega friagem e não tome gelado"
Hã Hãã! Sexta teve festinha da facul.. na verdade um churras promovido somente pela minha sala para minha sala. Passou uma, duas horas... jogando baralho.. virando copo, garrafas de vinho.. e pronto.. alegria. No Sábado sim! Vou ficar em casa.. mas a Carol e a Bruna ligam e me chamam para ir no Duboiê! E lá fui eu novamente. Foi o niver da Elaine.. (era dos motivos para minha ida. Era. Verbo no passado), mas a ela não apareceu. Os amiguinhos dela e da Carol lá, menos a própria. Bem, ainda nem sei qual o paradeiro da garota. Só sei que me diverti muito, como há muito tempo não fazia.
Na Verdade.. não levem tão a sério o título do post, pois vou falar mais no último tema do que no dos
outros. Não resisti.
40 anos
Desde que eu li "Anos rebeldes", há alguns anos atrás, virei um grande fuçador na história da ditadura militar, do golpe de 64 que essa semana completou 40 anos de sua implantação maquiavélica. O Tema tá bem comentado por ai, mas não tive como não postar. O Site da Veja (parece ironia) fez um especial bacana, a Isto é, mostra como vivem os militares que mataram e torturaram várias pessoas na época. A Folha, A Cultura que está com uma programação bacanérrima, com curtas e documentários (entre eles 'AI-5, o dia que não existiu"). Enfim, vários materiais por ai. Não sei exatamente porque eu sou tão fascinado por esse evento histórico, sou contra, claro! (embora há pessoas que defendem o golpe). Mas foi um evento incrível, uma coisa de proporções gigantescas ter atingido o Brasil há tão pouco tempo atrás, com uma ousadia que infelizmente deu certo. Os Canhões na rua. Um dia depois do golpe e o presidente 'Jango' é obrigado a se exilar. Claro, que ficou aquele clima fúnebre no país.. e ai que eu acho que é a parte que me encanta, os estudantes saem nas ruas, pichando, distribuindo papéis, fazendo passeata.. sabe? Dando a cara para bater. Na Faculdade ontem passaram um documentário do pessoal de RT que fez como TCC, sobre a histórias dos dominicanos que fizeram parte da ALP junto com o líder Mariguella (na foto, do lado do Lamarca).
A pesquisa, as imagens são fodissimas... daí eu olho para o lado e porra! Todo mundo conversando e fazendo piada. Descobri que o engajamento hoje em dia raramente existe para a juventude. Ainda mais com os dados de uma pesquisa que saiu perguntando nas faculdades se alguém sabia o que tinha acontecido no Brasil há 40 anos, mais ou menos 40% sabiam. Desde 64 o país vivia desse jeito: a censura desenfreada vetada músicas, matéria de jornal. A Folha começava uma noticia, dava um espaço e colocava uma receita de bolo na parte proibida, tudo isso na primeira página. Uma vez ela escreveu: TEMPO NEGRO NO PAÍS E CÉU FECHADO. FORTES PANCADAS DE CHUVA NA REGIÃO CENTRAL, MÁXIMA DE 40° GRAUS EM SP E MINIMA DE 5° EM BRASÍLIA. Em 68, vigora o AI-5. Daí a tortura monstruosa e as mortes crescem, no livro "Os mortos e os desaparecidos do Brasil que eu li, me fez quase chorar.. Tanta gente que morreu lutando.. reverencio a juventude dessa época, assim como a arte também: o Livro do José Agrippino "Panamérica", Chico Buarque (que montou a peça roda viva que sofreu durrisimas repressões.. os atores foram até espancados). A oTropicália, eu adoro a tropicália.. Caetano, Gil...
Acho que vale a pena lembrar. Para isso nunca mais acontecer de novo. E se acontecer que todos lutem como a juventude passada. Falando no Caetano...
Trilha sonora: Caetano Veloso (1969)
Saí com a Carol apenas para dar uma volta e volto com esse CD. Genial. Gosto de todas as fases do Caetano, mas essa época é a minha preferida.. da Tropicália e da pós-tropicália. Não sei.. acho que a criatividade era maior. Todos sabem, que o movimento era uma doidera, um desbunde total.. por várias provocações (intencionais ou não) ele acabou sendo preso junto com Gil por uns três meses assim que surgiu o AI-5. Puta fase de depressão na cadeia. Acabam saindo da prisão e ficam confinados em Salvador. Com muita insistência, conseguiram uma autorização para que eles (Caê e Gil) pudessem gravar cada um seu disco. Após darem uma olhada nas letras, a censura acabou autorizando. O Problema era... não podia sair de Salvador, as condições de gravação eram horríveis.. e Caetano quase desistiu.. Peça fundamental da Tropicália, o maestro Rogério Duprat, teve a grande idéia.. gravaria só a voz de Caetano, acompanhado por um violão (de Gil, pois nesse época o Caetano achava que não sabia tocar o instrumento) pegava as fitas, levou para São Paulo e lá deu prosseguimento ao disco.. Orquestras, Piano, Guitarra, Bateria, Baixo, entre outras loucuras. Deu certíssimo, pena que quando o disco ficou pronto... Caetano já estava exilado em Londres. O Disco é fenomenal. Por mais diversificado que ele seja.. o fio condutor é a tristeza e a depressão que ele estava sentindo.. pela prisão, pela situação do País, como em "The Empty Boat". Entre as músicas tem a releitura de "Marinheiro só" que ficou fodissima e de "Carolina" do Chico, em forma de protesto (Era, em sua visão, a anti-musa nacional) o tango "Cambalache", "Irene" que ele escreveu na prisão, as lindíssimas "Lost in the paradise" e "Chuvas de verão" A maioria das músicas tem uma levada rock. A Maior pérola é "Acrilírico" um poema musicado por uma orquestra, cheio de recortes sonoros como o som de uma porta sendo batida, de um peido (!!) entre outros. O disco encerra com "Alfômega", fodissima e estranha. Caetano cantando no estilo do Roberto Carlos com letra bem louca do Gil. Discoteca Bááásica. Obra-prima.
P.S: VOU MUDAR P/ WEBLOGGER. JURO QUE EU VOU! ESSE BLIG TÁ UMA PALHAÇADA
enviada por New Young
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